06. DO CAOS À ORDEM

Numa sociedade de consumo, não há fim o desejo de ir além.

Criamos novas necessidades a cada minuto, descartadas no exato momento em que as conquistamos, gerando novos e insaciáveis desejos. Só há uma conquista com ponto final: o autoconhecimento.

Quando nos conectamos intimamente com quem somos, trazemos à tona o melhor de cada um para oferecer aos outros: nós mesmos.

NOMES CONFIRMADOS

  • GABOR
    MATÉ

    Gabor Maté é um médico canadense, nascido na Hungria em 1944. Sem nunca escolher o caminho mais simples, ele tocou por vinte anos uma clínica de família perto de Vancouver, cuidou de doentes terminais e tratou pacientes que sofrem de dependência grave de drogas, doença mental e HIV. Aliado a estudos de caso, tornou-se reconhecido por sua perspectiva única sobre Transtorno de Déficit de Atenção e acha que a primeira pergunta não é ‘Por que a dependência?’ mas sim ‘Por que a dor?’

    Se o sucesso de um médico mede-se pela longevidade de seus pacientes, o psiquiatra Gabor Maté, canadense nascido na Hungria pós-genocídio nazista, é um fracassado. Especialista em doentes terminais, dependentes químicos e portadores de HIV, Dr. Maté é autor de livros e colunista reconhecido pelo conhecimento acumulado sobre transtornos de déficit de atenção, stress e doenças crônicas e relações parentais. Seu tema no TEDx Rio +20 é a adição - das drogas ao poder, passando pelo vício ou por simples CDs. Da falta de amor ao desejo de escapar de si mesmo, da suscetibilidade do ser ao poder interior -nada escapa. E ele arrisca uma prescrição genérica e generosa: “Encontre a sua natureza e seja gentil com você mesmo”.

  • JEAN-MICHEL
    COUSTEAU

    Explorador, ambientalista, educador, produtor de cinema e TV, articulista. Essas apenas algumas das diversas faces de Jean-Michel Cousteau, filho do lendário Jacques Cousteau, e considerado um dos maiores ativistas pela preservação ambiental do mundo. Recebeu em 1998, do então vice-presidente americano Al Gore, Prêmio Herói Ambiental, pelo seu engajamento. Recebeu diversas honrarias e também o Emmy e o Peabody Awards, premiações para programas de TV dos Estados Unidos.

    Aos 74 anos, Jean-Michel Cousteau, filho do explorador Jacques Cousteau, ainda se considera uma esponja que está sempre absorvendo novos aprendizados, como fazem as crianças. Da infância numa família dedicada aos oceanos ele traz experiências inusitadas ,como chegar atrasado à escola por ter ficado caçando polvos, que venderia depois da aula para o chefe de polícia. Mas uma memória por ter vivido conectado aos oceanos é cristalina: sem água não há vida e a água da Terra é uma só. Aos 61 anos, o ativista ambiental fundou a Ocean Futures Society, organização sem fins lucrativos, que busca soluções sustentáveis para o oceano e a vida marinha. “Tudo está interconectado e não somos meros visitantes no planeta. Quem protege os oceanos está se protegendo”, ensina.

  • MAGNUS
    CHEIFETZ

    Mais de 30 anos de trabalho, que hoje se concentra no desenvolvimento de tecnologias para a produção de energia limpa. Este é apenas um aspecto da vida e do currículo do empresário Daniel Magnus Cheifetz. Foi um dos primeiros 40 desenvolvedores de software para a Macintosh, trabalhou em organização que fornece criação e manutenção de sites para entidades engajadas e atuou no desenvolvimento da Livelink, primeira empresa de sistema de gestão documental baseada na web. Atualmente tem o cargo de CEO da Building Energy.

    Diante da expectativa pela Rio+ 20, o empresário Magnus Cheiftez lançou no TEDx o desafio da Rio + Now: “Temos a oportunidade de consertar agora o que foi feito. Temos aprendido mais sobre a vida do que jamais fizemos antes e isso pode fazer toda a diferença no mundo”, diz, lembrando marcos tecnológicos importantes das últimas décadas como os primeiros computadores ligados em rede (1984) e a chegada da Internet (1996). Atualmente, Magnus é CEO da Building Energy, que tem como missão criar soluções inovadoras para aquecimento e refrigeração em edifícios. Segundo ele, 40% do nosso consumo de energia está ligado à construção. “Computadores se tornaram mais valorizados quando passaram a ser conectados entre si. Por que não fazemos o mesmo com as construções, deixando-as mais sustentáveis?”, desafia.

  • SEVERN
    SUZUKI

    Ambientalista desde os 6 anos (não, você não leu errado), Severn Suzuki, já criou uma organização, palestrou na Eco 92, se formou em ecologia e biologia evolutiva e apresentou um programa infantil. Seu trabalho de difusão da conscientização em prol da defesa do planeta a tornou personagem principal do documentário “Severn, a voz de nossos filhos”.

    PALESTRA EM BREVE!

    Severn Suzuki era um dos nomes mais esperados do TEDx Rio +20. Afinal, a ativista que aos 12 anos emocionou o mundo com seu engajamento precoce na Eco 92, formou-se em Ecologia e Biologia Evolutiva, fez pós-graduação em Etnobotânica e continuou na luta em favor da sustentabilidade do planeta. Severn não pode estar no Rio por uma questão de agenda, mas se fez presente, de novo, de forma emocionante: ao vivo pela internet. Aos 32 anos, ela conta que mudou muito nos últimos 20 anos, enquanto as lideranças mundiais pouco avançaram nas decisões relevantes, já a estratégia política ainda é prioritariamente econômica. Diante disso e da maternidade, descobriu um novo poder humano: a justiça intergeracional. “Sou uma ambientalista melhor hoje, mas os cinco minutos de discurso que acabaram anos depois parando na internet ainda são o que fiz de mais poderoso. Sou mãe de dois meninos e acredito que é por causa dos filhos, do amor entre gerações, que vamos identificar imperativos morais para garantir um futuro”.

  • NILTON
    BONDER

    Aos 54 anos, Nílton Bonder é rabino, escritor, consultor de empresas e surfista. Com formação em Literatura Judaica, já venceu o Jabuti, em 2000, e o de melhor escritor judaico em 2002. Também é reconhecido por seu trabalho por causas humanitárias. Em 2011 ganhou o 1º Prêmio Rio Sem Preconceito.

    A palestra do rabino e escritor Nilton Bonder no TEDx Rio + 20 foi precisa como um raio. Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, ele trouxe ao palco uma questão tão urgente quanto cota para emissão de CO2: precisamos de uma nova matriz energética para nós mesmos, seres humanos. Na contramão do consumo, que nos recarrega com o poder do ter, do prazer imediato e individualista, e do desejo de aproveitar tudo ao máximo, está sua nova proposta de matriz energética: o vínculo. “Temos que descobrir o sentido da vida pelos vínculos de que ela é feita”, diz, lembrando a história de duas crianças que brincavam na areia da praia enquanto as ondas varriam seus castelos. E acrescenta: “Elas não se importam com o que o mar leva e reconstroem porque têm o mais importante: uma a outra. É isso que nos dá energia”. Se é o suficiente? Ouça o que a ética dos ancestrais já dizia sobre manter nossa energia interna limpa.