03. DO VALIOSO AO INESTIMÁVEL

Curioso como em tempo de crise de valores (éticos, morais etc), nunca se falou tanto em “agregar valor”. Ao produto, à empresa, ao projeto etc.

Será que estamos dando crédito ao que realmente importa? Reunimos gente engajada na questão do desenvolvimento humano, que investe no ser antes do ter, solitária ou coletivamente, para que todos possam dar valor às coisas de real valor.

NOMES CONFIRMADOS

  • NATALIE
    JEREMIJENKO

    Bioquímica, física, neurocientista, professora, engenheira e artista. Tudo isso e mais um pouco é Natalie Jeremijenko. Através da Clínica de Saúde Ambiental, trabalha com experiências sociais que permitem - e incentivam - mudanças através das artes e do design. Professora universitária, também cria e supervisiona projetos e ainda expõe suas obras em espaços renomados. Também fez parte da criação do Índice de desânimo, um detector de movimento de câmera que foi instalado na Ponte da Baía de São Francisco para gravar suicídios, que foram representados graficamente em relação aos dados do mercado de ações.

    PALESTRA EM BREVE!

    Quando se ouve a engenheira e artista Natalie Jeremijenko falar sobre a dezena de projetos em que está envolvida, seja sobre pontes para borboletas, bambolês semeadores ou detector de índice de desânimo, pode-se duvidar se aquela moça loura, com objetividade robótica, é uma holografia ou obra de ficção científica. Mas a máquina é real. Em Nova Iorque, Natalie dirige a Clínica de Saúde Ambiental xDesign, onde defende que saúde é uma questão ligada diretamente ao nosso relacionamento com o meio. E se somos o que repetidamente fazemos, como dizia Aristóteles, Natalie é um ótimo exemplo de como podemos fazer diferente.

  • MARTINA
    HAUSER

    Martina Hauser é uma dirigente política que colocou conhecimento e seu cargo à disposição da sustentabilidade. Desde 2010 ela é a líder da equipe do Ministério Italiano do Meio Ambiente, Terra e Mar. Suas principais frentes de trabalho são reduzir a emissão de CO2 no país, além de aumentar a cooperação com países emergentes, entre eles o Brasil. Atualmente, empresas nacionais e estrangeiras, além de universidades estão envolvidas em projetos para avaliação do impacto ambiental. Sua dedicação já rendeu o título de Cavaleiro Terceira Classe do Trabalho na Ordem da Estrela da Solidariedade Italiana, concedido em 2005, pelo presidente da Itália.

    Martina Houser, líder da equipe do Ministério do Meio Ambiente, Mar e Terra da Itália é uma espécie de Beremiz (lembram-se de O Homem que Calculava, de Malba Tahan?) do CO2. Dedicou os últimos 20 anos a desenvolver centenas de projetos de proteção ambiental, construindo edifícios ecológicos, avaliando impactos de empresas públicas e privadas, além de mapear a emissão de CO2 em diversas cadeias produtivas, com o “Carbon Foot Print Calculator”. Descobriu que o consumidor e, consequentemente as empresas, passam a dar mais valor a um produto transparente nessa relação, ajudando na decisão de compra. O TEDx Rio +20 não poderia ficar de fora da conta de Martina.

  • WINNIE
    LAU

    Winnie Lau gerencia o projeto Marin Ecosystem Services (Mares), que tem como objetivo proteger os ecosistemas marinhos aliado ao aproveitamento de mercado e investimento do setor privado. Ela já rodou o mundo e chegou a atuar em três diferentes setores no Departamento de Estado dos EUA. Na prática, o trabalho de Winnie é mostrar que os ecossistemas marinhos não são simples fontes de recursos. “A natureza não está lá apenas para irmos e pegarmos os bens que quisermos. Ela tem todos esses outros aspectos que tornam a nossa vida tão maravilhosa”, descreve. E para ela, isso também tem seu preço.

    Winnie Lau parece alguma amiga de infância que todos nós tivemos. Alguém que sempre ia bem nas provas... É formada em Ciências Ambientais e Biologia Integrativa em Berkeley, tem pós-graduação em Gestão Ambiental, e mestrado e doutorado em Oceanografia. Além de ser fluente em cinco idiomas: inglês, japonês, cantonense, mandarim e espanhol. E tudo isso foi desaguar no mar, ou melhor, no Mares, apelido do Marin Ecosystem Services, programa de estudo e proteção de ecossistemas marinhos, com foco no valor econômico para o mercado - preservar costuma ser mais barato do que recuperar - e no financiamento privado. Se você também nunca ouviu falar sobre o peixe-papagaio, chegou a hora.

  • CLÁUDIA e KÁTIA
    ALENCAR

    Atletas engajadas, as gêmeas Cláudia e Kátia Alencar, dois dos maiores nomes do remo brasileiro, passaram a conciliar a vitoriosa carreira com a vontade de fazer do esporte uma ferramenta social. Pioneiras, as duas levam o remo para crianças e adolescentes como uma nova possibilidade educacional. Também estão aliando a prática com a defesa da natureza, chegando a criar o Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Federação Pernambucana de Remo, órgão inovador em entidades esportivas brasileiras.

    Cátia e Cláudia Alencar são almas gêmeas. Literalmente. Nasceram juntas e permaneceram unidas vida afora, abraçando a carreira de atletas como remadoras (foram as primeiras brasileiras a representar o País em competições internacionais). Muitas medalhas depois, a sintonia continua fina no sonho de serem ativistas campeãs na disputa para unir esporte, educação e meio ambiente. O sonho das Olimpíadas não se transformou em realidade, mas foi o treinamento para uma missão maior: conectar pessoas para remarem na mesma direção, pela preservação da natureza, inclusão social e maior consciência. Dupla que vale ouro.

  • ELEANOR
    LUZES

    Eleanor Luzes é médica-psiquiatra e criadora da "Ciência do Início da Vida", que mostra a importância de uma série de cuidados durante a gestação que implica em respostas importantes como a queda da mortalidade infantil, a melhor qualidade de vida e até mesmo o aumento da expectativa de vida. Seu trabalho tem sido difundido em diversas universidades e chamou atenção até de alguns deputados federais, em uma audiência realizada em maio de 2006, durante a celebração da Semana Nacional de Direitos Humanos.

    Que a maternidade/paternidade anuncia um novo ciclo na vida de qualquer pessoa, todo mundo sabe. Mas será que estamos preparados e conscientes para gerar, desde a concepção, uma sociedade mais sadia, amorosa e sustentável? Ou precisamos voltar à escola, digamos assim, para aprender como contribuir para isso? Com a tese de doutorado “Ciência do Início da Vida” ganhando a pauta das políticas públicas, a psiquiatra Eleanor Luzes é incansável na batalha pela evolução coletiva do nosso conceito de família e de espécie, a Homo Sapiens Frater.